Duma lança ‘Vivências’: Neo-soul e Boom Bap se unem em single que antecipa EP ‘Pérolas de Memórias Esquecidas’

Bruno Gabriel
5 min de leitura

Neo-soul e Boom Bap se encontram na nova fase de Duma, que celebra a arte como forma de cuidado e liberdade

A artista Duma apresenta “Vivências (Transformei pra me fazer livre)”, um single que marca o início de uma profunda experimentação artística. A música mistura influências do neo-soul com o boom bap, criando um som único que abre caminho para o aguardado EP “Pérolas de Memórias Esquecidas”, previsto para a primeira quinzena de dezembro.

Nascida em São Paulo e agora parte da vibrante cena musical de Pelotas, Duma guia sua carreira pelas histórias que moldam sua identidade. “Vivências”, produzida por MAXIMONUBEAT e lançada em 28 de novembro, representa um momento de reencontro consigo mesma, onde o cuidado com a própria vida se entrelaça com a mesma ternura e rigor aplicados à sua arte.

Essas descobertas e reflexões amadurecem em “Pérolas de Memórias Esquecidas”. O EP, composto por cinco faixas, funciona como uma “colcha de retalhos afetiva”, conectando “Estamos lokos Lukas? (Intro)”, “Sonho”, “Quer Saber???”, “Vivências” e “Ruas”. As músicas se articulam como diálogos internos, revelando a transformação da memória e dando forma e significado a lembranças antes dispersas.

A arte como ferramenta de resgate e autoconhecimento

Através da música, Duma tem conseguido nomear silêncios, organizar suas intensidades e resgatar memórias que, por muito tempo, permaneceram fragmentadas. A artista reflete sobre o processo criativo do EP, afirmando que foi um mergulho em suas lembranças.

“Me levaram a me conectar com as intenções de eu ter iniciado a compor e a me perguntar, quem são as pessoas que têm direito à memória?”, questiona Duma. Essa reflexão ganha força ao considerar a consciência racial que permeia sua trajetória e a importância de reconstruir narrativas como um gesto político de existência.

Ancestralidade e migração na construção de identidades

A questão da migração também é um fio condutor na história de Duma e em sua música. Seus avós e pai migraram de Minas Gerais para São Paulo, e seus avós, que a criaram, são da Bahia. Essa rica tapeçaria cultural, ouvida desde cedo em casa, dialoga diretamente com a sua arte.

“A migração cruza minha história. Meus avós e meu pai são de Minas Gerais, e foram pra São Paulo quando ele era bem novo. Meus avós, que me criaram, são da Bahia. Essa questão da transformação cultural conversa muito com o que sempre ouvi em casa”, compartilha a artista.

“Vivências”: um chamado para a presença e a potência criadora

O single “Vivências” encapsula essa jornada pessoal, servindo como um convite para respirar com mais atenção, enfrentar o cinismo e transformar impulsos em força criativa. Na arte, Duma encontrou um espaço onde a verdade e a imaginação se fundem, permitindo-lhe um novo olhar sobre si mesma e sobre o mundo.

“Aprendi a me dar tempo e ser mais flexível, entendendo que paciência também é ritmo. A dificuldade de me manter presente no meu corpo me cobrava um preço muito alto. Tive que parar tudo e sentir com mais carinho minhas sensibilidades”, relata Duma.

O som que ecoa o que insiste em permanecer vivo

Entre os gêneros neo-soul e boombap, Duma tece sua própria narrativa com fios que emanam de seu interior. “Pérolas de Memórias Esquecidas” nos convida a escutar aquilo que, apesar das adversidades e do tempo, insiste em permanecer vivo em nós, guiado pela sensibilidade ao invisível e pela força da ancestralidade.

O trabalho de Duma se destaca pela originalidade e pela forma como consegue costurar elementos sonoros e narrativas pessoais, criando uma obra que ressoa profundamente com a experiência humana, abordando temas como memória, identidade e resiliência. A artista demonstra maturidade artística ao explorar essas complexidades em sua música.

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