Hytalo Santos nega exploração sexual e atribui vídeos com menores à cultura do brega funk em depoimento à Justiça na Paraíba

Bruno Gabriel
5 min de leitura

Influenciador digital preso na Paraíba afirma que vídeos com adolescentes refletem ritmo do brega funk e nega envolvimento em crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente

O influenciador digital Hytalo Santos, preso desde agosto acusado de exploração sexual de menores, apresentou depoimento à Justiça negando as acusações de produção e divulgação de material pornográfico infantil. Durante a audiência, ele afirmou sentir constrangimento por responder pelo processo que envolve crianças e adolescentes e relacionou os vídeos aos elementos da cultura do brega funk.

Segundo o depoimento, as gravações feitas na casa do casal em Bayeux, Paraíba, continham danças com jovens e adolescentes, autorizadas pelos responsáveis, e que não tinham intenção sexual. O Ministério Público da Paraíba (MP-PB) denunciou Hytalo e seu marido Israel Nata Vicente por suspeitas de aliciamento, tráfico humano e exploração sexual, baseando-se em investigações que monitoravam as ações do casal desde 2020.

Conforme as informações divulgadas pelo portal Muita Informação, o processo está em andamento e a defesa sustenta que o material não configura pornografia, mas sim manifestações culturais comuns na periferia.

Depoimento de Hytalo e defesa contra as acusações

Na audiência, questionado se suas condutas se enquadravam no artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que criminaliza produção e divulgação de pornografia envolvendo menores, Hytalo respondeu categoricamente que não.

Me sinto constrangido por ter feito tanto por essas crianças e adolescentes e estar sendo acusado injustamente”, afirmou. Ele ainda explicou que a convivência com os jovens ocorria com permissão dos pais e que não existia conotação sexual nos vídeos.

A defesa destacou em entrevista que os registros publicados podem conter atos sensuais, mas não pornográficos, ressaltando que a legislação criminaliza apenas pornografia. Segundo o advogado Sean Kompier Abib, “a pornografia não está demonstrada no conteúdo”.

Cultura do brega funk como contexto das gravações

Hytalo colocou o conteúdo das gravações dentro do contexto cultural da periferia, especialmente nas regiões entre Recife e João Pessoa, locais onde o brega funk é o ritmo mais ouvido. Ele explicou que as coreografias feitas pelos adolescentes são vistas por alguns com um olhar sexualizado, mas para quem vive essa cultura a interpretação é artística e natural.

Além disso, o influenciador negou ter incentivado relacionamentos afetivos entre os jovens, afirmando que, quando presentes, essas relações ocorriam sob acompanhamento familiar, o que, segundo ele, é a melhor forma para evitar situações impróprias.

Acompanhamento do Ministério Público e prisão preventiva

O Ministério Público da Paraíba mantém investigações sobre o esquema que supostamente atraía adolescentes com promessas de visibilidade e benefícios econômicos. Relatórios indicam um controle rigoroso sobre a rotina dos jovens, incluindo orientações comportamentais, procedimentos estéticos e tatuagens com conotação sexual, o que reforça as suspeitas de manipulação.

Em agosto, a Justiça aceitou a denúncia contra Hytalo e o marido e decretou prisão preventiva. Ambos foram presos na Grande São Paulo e continuam detidos na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa. O Tribunal de Justiça da Paraíba rejeitou, recentemente, um pedido de liberdade provisória da defesa, mantendo a prisão preventiva em vigor.

Consequências legais e pedidos de reparação

O MP-PB também solicitou reparação de R$ 10 milhões por danos coletivos, considerando o impacto social e pessoal sofrido pelas vítimas do suposto esquema. O caso segue sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que continua investigando a estrutura e a profundidade das práticas alegadas.

Enquanto isso, Hytalo mantém sua versão de que produzia conteúdo cultural sem intenção ilegal e que a criminalização dos vídeos decorre de interpretações externas ao contexto da periferia. O caso permanece em andamento na Justiça da Paraíba, onde se aguarda a continuidade das investigações e desdobramentos processuais.

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