Lei Paulo Gustavo se torna motor para a cultura negra no DF, financiando projetos inovadores e essenciais para a justiça racial.
O Dia da Consciência Negra, um marco de luta contra o racismo, encontra na cultura uma de suas ferramentas mais potentes para a busca por justiça. Nesse contexto, a Lei Paulo Gustavo (LPG), que representa o maior investimento já realizado na história do setor cultural brasileiro, está impulsionando projetos no Distrito Federal com a problemática racial em seu cerne.
Um exemplo notório é o curta-metragem de ficção distópica “Não Há Crime no Plano Piloto”, dirigido e roteirizado por Gabriel de Araújo. A obra imagina um futuro onde as áreas ricas da cidade são isoladas por um muro, exigindo passaporte para entrada, e aborda as desigualdades sociais.
“As revoltas são a linguagem daqueles que não são ouvidos”, cita o cineasta, inspirando-se em Martin Luther King para explicar a origem do filme e apontar as desigualdades como fator de um futuro turbulento. Para Araújo, a LPG foi crucial, proporcionando a primeira oportunidade de trabalhar com recursos profissionais, o que garantiu um set de filmagem adequado e a movimentação da cadeia produtiva cultural.
O projeto está em fase final de pós-produção, com previsão de lançamento em festivais no próximo ano. A expectativa é que o curta finalize sua produção ainda em 2024.
Grupo Embaraça celebra uma década de teatro negro com apoio da LPG
Em comemoração aos seus 10 anos, o Grupo Embaraça desenvolveu um espetáculo inédito e um seminário sobre “Dramaturgia e Teatro Negro”, com apresentações em diversas regiões do DF. Tuanny Pereira de Araújo, proponente do projeto, ressalta a importância do financiamento da LPG.
“Fomentar projetos com mulheres negras que lideram seus próprios grupos proporciona que a pluralidade do teatro seja uma realidade e os recursos sejam distribuídos de forma equânime”, afirma Tuanny, destacando a oportunidade para que profissionais talentosos sejam reconhecidos e expandam suas práticas artísticas.
“Mercado Sul: Um Chão de Cores” resgata memórias visuais da periferia
Outro projeto beneficiado pela Lei Paulo Gustavo é “Mapeando Memórias Visuais: Mercado Sul, Um Chão de Cores”. Voltado para um dos territórios culturais mais importantes do DF, o Mercado Sul em Taguatinga, historicamente ocupado por populações negras e periféricas, a iniciativa busca mapear o acervo histórico em formato de fotolivro e site.
O projeto também promoverá intervenções artísticas no local para difundir o legado desse espaço, que está em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do DF. A iniciativa visa dar visibilidade e preservar a memória de uma comunidade vibrante e resiliente.
A Lei Paulo Gustavo em números no Distrito Federal
A Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022) é um marco histórico, destinando mais de R$ 3,8 bilhões para o setor cultural em todo o Brasil. No Distrito Federal, já foram repassados R$ 48,1 milhões para projetos culturais, administrados pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).
Esses recursos, distribuídos por meio de editais e seleções públicas, têm sido fundamentais para a realização de projetos como os mencionados, garantindo que artistas e trabalhadores da cultura tenham a oportunidade de desenvolver seus trabalhos e fortalecer a diversidade cultural do país.
